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A Assertividade de Jesus

Assertividade de Jesus
Que seja o teu dizer, sim, sim, no, no-Mt 5,33-37

Com a chegada do terceiro milênio, há uma expectativa diante do processo de regeneração, onde o convite a transformação moral se faz presente e inevitável com perspectivas diferentes, que oportunize através da reflexão a busca de novos objetivos, que faça coerente este homem de bem. Nesta máxima de Jesus, percebemos que Ele assevera sobre a necessidade de atitudes mais objetivas e verdadeiras, sem informações dúbias, onde o indivíduo possa se posicionar sem preocupações com críticas ou perda de afeto. Com certeza, Jesus já falava de assertividade, ou seja, de uma comunicação de forma clara e objetiva, visando resultados mais verdadeiros.

Carlos Augusto Abranches (2001) diz que a era da comunicação exige atributos indispensáveis ao homem para que tenha competências novas e eficientes, visando interagir de maneira mais profunda e produtiva com os outros e a natureza. Verifica através da proliferação de técnicas de controle mental; Cursos de línguas estrangeiras e oratória, através dos profissionais de marketing das grandes empresas. Para estas, quem não aprende a se comunicar está fora do mercado de trabalho. O candidato ao ser entrevistado deve demonstrar suas habilidades sociais, e estar desacompanhado da conduta arrogante e vaidosa. Entretanto, as empresas não querem apenas um currículo abarrotado de cursos, mas um funcionário que saiba: conversar construtivamente com os colegas, que seja polido, cordial, com bom-humor, equilíbrio, humildade, que tenha metas definidas de crescimento, ou seja, com autoestima, visto que estas posturas interferem positivamente na relação com o cliente. Além disso, o autor informa que foi verificado que aquelas pessoas que se dedicam a trabalhos voluntários, apresentam a chamada taxa de bondade social, pois desenvolveram valores como: tolerância; paciência; capacidade para lidar com as frustrações sem perder o equilíbrio. Portanto, apresentam maiores habilidades sociais para estarem à frente das empresas, na solução de dificuldades, especialmente com os clientes mais exigentes. Pois que, consideram não como problemas o cotidiano, e sim, como desafios as rotinas laborais.

Se o mundo capitalista já se deu conta de que é necessário mudar a forma de comunicação com os outros para poder mantê-los no convívio, é certo que com objetivos específicos de manter uma relação lucrativa, mas ainda assim, buscando soluções para alcançar os resultados desejados. Será que no movimento espírita a comunicação é clara e objetiva? Os papéis exercidos visam o bem comum e não apenas o bem pessoal? A caridade pregada é a mesma da Taxa de Bondade Social?

Maria Julia Ribeiro (1990) em sua pesquisa sobre assertividade diz que estes estudos tiveram início com os psicólogos Wolpe e Lazarus, que buscavam fazer uma distinção sobre asserção e agressão. A palavra assertividade era inexistente na língua portuguesa e foi introduzida pelos terapeutas comportamentais. Na sua tradução, to assert significa declarar ou afirmar algo de maneira positiva, direta e vigorosa. A definição do termo auxilia a entender que essas condutas estão ligadas as habilidades sociais e comportamentos verbais, ou seja, à comunicação.

O comportamento assertivo é definido por Alberti & Emmons (1983) como aquele que torna a pessoa capaz de agir em seus próprios interesses, a se afirmar sem ansiedade indevida, a expressar sentimentos sinceros sem constrangimento ou a exercitar seus próprios direitos (p.18). Cada pessoa tem o direito de ser e de expressar a si mesmo e sentir-se bem (sem culpas) por fazer isto, desde que não fira seus semelhantes no processo. A pessoa assertiva deve ser entendida como alguém com características específicas de repertório comportamental e não como uma criatura com determinados traços de personalidade ou dons apropriados para este modo de agir. No sentido real, assertividade é uma classe de respostas e não uma estrutura mental. Portanto, alguns estudiosos que definiram algumas características da pessoa assertiva, pontuam que nenhuma é mais importante que a outra, mas que valem como um caminho para ter ações assertivas. São elas: habilidade de dizer não, habilidade de pedir favores, habilidade de expressar sentimentos, habilidade para iniciar, continuar e encerrar diálogos, respeito aos sentimentos dos outros, expressão e enfrentamento de limitações pessoais, duração da resposta, volume da voz e afeto.

O comportamento assertivo é emocionalmente honesto e apropriado. O comportamento agressivo é emocionalmente honesto, porém, inadequado e, o comportamento não-assertivo é desonesto emocionalmente. Enquanto as condutas assertivas e agressivas são expressivas, a não assertiva é inibida e autodepreciadora; a assertiva é fortalecedora, a agressiva também é só que à custa de quem está sofrendo sua ação o receptor. O indivíduo que se manifesta de forma não-assertiva sente-se magoado e ansioso na hora da atitude e, às vezes, com raiva e ressentimento depois. O assertivo sente-se confiante e autorrespeitado. O agressivo sente-se superior na hora e possivelmente culpado depois.

Para entender as relações que se estabelecem do comportamento assertivo é importante verificar como fica quem recebe a ação: diante do não assertivo, o receptor sente culpa ou superioridade. Diante de um assertivo sente-se valorizado e respeitado. E quando é alvo de um comportamento agressivo, sente-se magoado e humilhado. O sentimento que o receptor tem pelo emissor da conduta não-assertiva é de irritação, desgosto e pena. Pelo emissor do comportamento assertivo, sente respeito. Já pelo emissor do comportamento agressivo, o sentimento que desperta é de raiva e desejo de vingança.
Mas por que a maioria das pessoas não é assertiva? Uma das explicações, segundo Abranches, é em decorrência de ansiedade e de crenças inibidoras da conduta assertiva. E uma das resistências exemplificadas pelo autor é de movimentos de conteúdos religiosos, que resistem às pessoas assertivas, considerando-as anti-caridosas quando expressam suas opiniões e conceitos. Cita ainda que a assertividade, muitas vezes, é abafada por supostas atitudes de humildade, a se expressar sorrateiramente na não resposta diante de uma situação de desconforto ou possível desaprovação dos companheiros de atividade.
Ressalta que é evidente que quando alguém fala, sem reservas, causa desconforto a quem ouve e, que o mecanismo de defesa presente é o de reação. Por essa razão, Kern (1982) investigou que a pessoa assertiva acrescenta a suas considerações a empatia, conseguindo moderar os efeitos negativos da asserção.

Outro fator que leva o indivíduo ao comportamento não-assertivo são algumas crenças irracionais, tais como: 1) Rejeição Pessoal, que diz respeito à crença que alguém deve ser amado o tempo todo, por todos os quem julgue importante, ou seja, incondicionalmente; 2) Competência Pessoal: Que alguém deve ser perfeitamente capaz sempre, adequado e competente. (3) Noção de Justiça: A vida como uma grande tragédia, se não segue o curso das expectativas da pessoa, o mundo desaba. A incompreensão e a injustiça vistas como catástrofes das quais a criatura sempre é vítima. Neste caso, o autor finaliza dizendo que: pode-se inferir, com base nestas crenças nocivas à felicidade das pessoas, que a assertividade pode ser prejudicada pelo isolamento social ou pelas queixas amargas sobre os outros e sobre o sentimento de desamparo.

Ao fazer uma analogia sobre os pressupostos dos autores citados, com os princípios básicos da doutrina espírita, fica a constatação de que a filosofia espírita apresenta as respostas ao indivíduo, no entanto, não há coerência entre a teoria e a vivência. Na questão 132. LE, os espíritos respondem a Kardec que o objetivo da encarnação é a evolução. Portanto, terá a criatura ajustes a fazer com aqueles dos quais irá conviver. Entretanto, esse conhecimento teórico adormece quando o ser reencarnado permite que a crença de rejeição pessoal, se instale no psiquismo, ditando normas de comportamentos, sem juízo de valor. Pois que, espíritos imperfeitos estão sujeitos a não serem amados incondicionalmente e é exatamente para reverterem esta situação e desenvolverem estes afetos que receberam a oportunidade da vida. Além disso, a crença de Competência Pessoal faz do indivíduo um ser superior, onde errar não pode fazer parte de sua condição humana. Ao sentir-se infalível, passa a exigir dos outros comportamentos irrepreensíveis. Comporta-se como um verdadeiro neurótico, ou é Deus ou não é nada.

Contrariando, novamente os pressupostos da doutrina, que demonstra que o uso do livre-arbítrio torna a pessoa mais consciente das suas escolhas. Onde a criatura não necessita um juiz implacável, para que suas ações sejam corretas, posto que, entende que é na consciência, que está à maneira de proceder. (Q. 621 LE). E por último a noção de justiça, onde a vida é vista como uma grande tragédia, não há oportunidade de evolução. O indivíduo que percebe apenas lado negativo está doente, sendo que as dificuldades cotidianas fazem parte do aprendizado. Nenhum aluno que vai à sala de aula para aprender, sai desta sem ser avaliado. Como que o professor terá certeza de sua assimilação se não houver prova? Quando o homem passa por situações contrárias as suas expectativas, necessita lançar mão de suas habilidades para que consiga ter uma postura mais condizente. Portanto, quem compreende a doutrina espírita, sabe que Deus é justo e, sendo este Pai, não permite que seus filhos vivam no desespero. Neste caso, cabe a utilização do atributo da inteligência para uma melhor reflexão, pois nos ensinamentos do Cristo, bem como agora sem véu, na codificação, esses pressupostos que a ciência denomina já estavam lá.

Em relação à assertividade ser anticaridosa, encontramos no ESE cap. XV -item 6: necessidade da caridade segundo São Paulo, onde de forma poética diz que: A caridade é paciente; é branda e benfazeja; caridade não é temerária, nem precipitada; não se enche de orgulho; - não é desdenhosa; não cuida de seus interesses; não se agasta, nem se azeda com coisa alguma; não suspeita mal; não rejubila com a injustiça, mas se rejubila com a verdade; tudo suporta tudo crê, tudo espera, tudo sofre. Após essa assertiva de Paulo, ser claro e objetivo com os companheiros de jornada é um ato de caridade, posto que a caridade não é orgulhosa, não deve servir para humilhar ninguém. Não é temerária, logo deve servir como um ato de coragem, pelo bem comum. Não suspeita mal, ou seja, não fica na suposição, mas esclarece com o companheiro, visando à solução da problemática. Não se rejubila com a injustiça, quando não permite que as pessoas fiquem com comentários maldosos em relação aos outros, posiciona-se em relação ao que está sendo alvo de injustiça não permitindo a impregnação de um ambiente maldoso. Se rejubila com a verdade, não com o escândalo, visto que, quando se esclarecem as dúvidas, muda a sintonia dos pensamentos e os equívocos são desfeitos. Tudo suporta tudo crê, tudo espera, tudo sofre, ou seja, quantas vezes ao esclarecer e nominar os fatos, mesmo de forma empática, os que ainda não conseguem compreender, se afastam. Mas, a caridade tudo crê, e se é justo e verdadeiro o objetivo, mesmo sofrendo, espera. Anticaridoso é deixar que os companheiros de caminhada, que estão no mesmo lar, sociedade, trabalho, instituição religiosa, e não é por acaso, permaneçam num comportamento fariseu, em pleno século 21. E isso explica o porque que o maior psicólogo e modelo e guia. LE. Q.625 Jesus já chamava a atenção sobre a Verdadeira Pureza (ESE-Cap.VIII-ítem.8). o que sai da boca procede do coração e é o que torna impuro o homem; Ou seja, qual o objetivo ao falar com agressividade ou não assertivamente? Onde se quer chegar? Esta foi a preocupação de Wolpe e Lazarus, de fazer a distinção entre asserção e agressão. É importante falar, mas utilizando um método para que da comunicação, não respingue as imperfeições morais do emissor, para que o receptor se sinta respeitado, motivando-se a vencer a si mesmo.

Portanto, se as causas que levam o indivíduo a não ser assertivo são as crenças arraigadas, quando é que acontecerá esse despertar para a realidade espiritual? De onde viemos? O que estamos fazendo aqui? E para onde vamos? A maioria sabe responder as duas primeiras perguntas. No entanto, a última só saberá responder aqueles que buscarem na sua transformação moral, a passagem para um mundo melhor. E, aqueles que ainda não sabem responder a última pergunta, podem lançar mão da comunicação assertiva como um instrumento de reforma íntima, posto que é algo que pode ser desenvolvido. Basta que o indivíduo consiga se colocar no lugar dos outros e irá entender quais os sentimentos despertados nestes quando as condutas não são assertivas. Quando a pessoa se responsabiliza pelas respostas que evoca do meio, sabe que para toda a ação, existe uma reação. Somente com a renovação de condutas, o trabalhador espírita iniciará o caminho rumo à regeneração. E para isso, o Consolador Prometido por Jesus vem aclarar o caminho para que o nosso dizer seja tão assertivo, quanto o do mestre. Que seja o teu dizer, sim, sim, não, não.

BIBLIOGRAFIA:
DELL PRETTE, Zilda A. P. Psicologia das Habilidades Sociais-. Ed. Vozes
KARDEC, Allan O Evangelho Segundo Espiritismo 1 ed. Porto Alegre, RS: FERGS -2006.
KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de Salvador Gentille, revisão de Elias Barbosa. Araras, SP, IDE, 166. Edição, 2006.
RIBEIRO, Maria Julia. Assertividade: avaliação e desenvolvimento entre universitários. Tese de doutorado da Universidade de Taubaté, SP - 1990
SCHUBERT, Suely Caldas org.- Visão Espírita para o Terceiro Milênio- Cap. II- pag. 17. Casa Editora Espírita Pierre-Paul Didier, 2001

Publicado por Mariane de Macedo

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